Como definir o tratamento de Câncer de Mama ?!

     Antes do médico mastologista juntamente com o oncologista determinar a linha de tratamento a seguir precisa saber qual o Tipo, o Grau do Tumor, o Índice de Crescimento, se ë Receptivo ou não a Homônio,  testes Genéticos, entre outros fatores.

     O tecido removido durante uma biópsia ou cirurgia é analisado para determinar a presença (ou não) de câncer. Se houver tecido suficiente, o patologista pode determinar se o câncer é não invasivo ou invasivo. Na análise da amostra da biópsia também se determina o tipo específico de câncer, por exemplo, se é carcinoma ductal invasivo ou carcinoma lobular invasivo.

     O patologista também atribui uma nota para o câncer, que é baseada em quão a amostra de biópsia se parece com o tecido mamário normal e a rapidez com que as células cancerosas se dividem. O grau pode prever o prognóstico de uma mulher. Em geral, menor grau indica um câncer de crescimento mais lento e é menos provável de se espalhar, enquanto um grau mais alto indica um câncer de crescimento mais rápido, mais provável de se espalhar. O grau do tumor é um fator importante para a continuação (ou não) do tratamento após a cirurgia. 

     O grau histológico do tumor se baseia no arranjo das células em relação às outras células; se formam túbulos; quanto se assemelham às células mamárias normais (grau nuclear); e quantas das células cancerosas estão em processo de divisão (contagem mitótica). Este sistema de classificação é usado para cânceres invasivos.  

     Os receptores são proteínas em determinadas células que podem se ligar a determinadas substâncias, como hormônios, que circulam no sangue. As células mamárias normais e algumas células do câncer de mama contêm receptores que se ligam ao estrogênio e à progesterona. Estes dois hormônios muitas vezes estimulam o crescimento das células cancerosas da mama. 

     Um passo importante na avaliação do câncer de mama é verificar se a amostra de tecido da biópsia tem receptores de estrogênio e de progesterona. As células cancerosas podem não ter receptor algum, um ou ambos os receptores. Os cânceres de mama com receptores de estrogênio são referidos como RE-positivo (RE+), enquanto que aqueles com receptores de progesterona são chamados RP-positivo (RP+). 

     O câncer de mama com receptores hormonais positivos tende a crescer mais lentamente e são mais propensos a responder à terapia hormonal do que o câncer de mama sem esses receptores.

    Um em cada 5 cânceres de mama têm uma proteína em excesso que promove seu crescimento denominada HER2. O gene HER2 instrui as células para produzir esta proteína. Os tumores com aumento dos níveis de HER2 são referidos como HER2-positivo. Mulheres com câncer de mama HER2-positivo têm muitas cópias do gene HER2, resultando em maior quantidade da proteína HER2. Esses cânceres tendem a crescer e se espalhar de forma mais agressiva do que outros tipos de câncer de mama. 

    Os pesquisadores descobriram que observar o perfil de expressão gênica pode ajudar a prever se um determinado tipo de câncer de mama em estágio inicial tem maior probabilidade de recidivar após o tratamento inicial. Dois desses testes, que avaliam os diferentes conjuntos de genes, já estão disponíveis: o Oncotype DX® e o MammaPrint® 

      Os genes BRCA1 e BRCA2 controlam a divisão das células normais. Raros pacientes sofrem mutações nestes genes e em consequência tornam-se mais susceptíveis ao desenvolvimento de tumores, entre eles o câncer de mama e de ovário. Mutações específicas foram descritas em famílias com muitos parentes com câncer de mama, chamados de grupos de risco. Testes genéticos foram desenvolvidos para detectar mutações dos genes BRCA1 eBRCA2 nas familias de alto risco e podem ser indicados em casos especiais para avaliar o risco de desenvolvimento do câncer de mama. No entanto o fato de uma paciente ter esses testes negativos  significam que não vão desenvolver a doença.

Como lidar com certas notícias ?!

     No dia 22/10/2015 fui a minha primiera consulta com a Oncologista. Ela me explicou que meu tumor era pequeno e foi detectado bem no inicio. Como dizem os médicos "foi um achado". No entanto não bastava apenas as cirurgias que ja tinha feito e estava em fase de recuperaçao. 

     Pelas caracteristicas histopatológicas, e por ser um tipo invasivo seria necessário um tratamento complementar. Um deles já se tem certeza que é a Hormonioterapia que deverá ser feita por um periodo de 05 (cinco) anos, com um medicamento conhecido como TAMOXIFENO. Na mesma consulta ela disse que ainda precisava fazer uma analise mais detalhada de todos os resultados da biopsia para ter certeza se precisaria ou não fazer Quimioterapia. 

     No entanto naquele dia, naquele momento apenas uma pergunta passava pela minha cabeça : quando vou poder ter filhos?! .... Resposta: só depois desse tratamento de 05 anos... isso foi literalmente um baque para mim, pois eu já planejava ter filhos esse ano.

     Por que um "baque" ??!?!  Porque passei minha vida cuidado dos outros, fazendo coisas para os outros, sempre deixando meus planos e sonhos em segundo plano... sempre fui muito ligada a familia, assumi desde nova a tomar conta de todos os negocios da familia que começou a se extender não apaenas para meus pais, como de repente me via cuidado de avó, de tias, primas (os) etc....me preocuopava tanto com os outros que até minha vida pessoal fui deixando para depois, tanto que só casei em 2014 porque vi que já estava mais do que na hora de ter meu espaço, minhas coisas e começar a colocar em pratica meus sonhos...uma parte disso do que eu  e meu marido planejamento há anos (namoramos muitos anos antes de casar... acho que eramos casados sem saber) era exatamente ter nossos filhos... e quando tá tudo organizado para isso vem uma notícia dessas... 

     Primeiro o choque com a noticia do diagnostico, sabendo que aquilo representaria cirurgias, tratamentos etc.... e depois essa em que um dos tratamentos determinava esperar mais 5 anos ou um pouco mais para realizar o sonho de ser Mãe.... mas não é fácil ser mãe aos 40 anos....

    Ser mãe normalmente já seria complicado para mim que tenho útero invertido (isso pode dificultar a fecundação e a gravidez) , alem dos ultimos exames mostrarem útero infantil, algo que a mulher até pode engravidar se tiver ovários que produzam ovulação, pois pode acontecer fecundação. No entanto, se o tamanho do útero for muito reduzido pode haver aborto espontâneo porque o bebê não tem espaço para se desenvolver. O tratamento para útero infantil na gravidez deve ser feito antes de tentar engravidar com o consumo de remédios hormonais que facilitam a ovulação e provocam o aumento do tamanho do útero, preparando-o para receber o feto. Só que agora HORMONIO é algo que eu não posso mais tomar.

     Se engravidar com 34 anos já seria um desafio, imagina com 40 que as probabilidades caem absurdamente, e os tratamentos que existem hoje em dia como Inseminação Artificial , A Fertilização In Vitro dependem de estimulo hormonal para darem certo... e isso eu não vou poder ter... fora os riscos que uma gravidez depois dos 40 representam para a mulher e o bebê...

     Quando sai dessa consulta e foi se formando um "filminho" com todas essas informaçoes ai sim eu desabei... acho que chorei uns 3 dias seguidos.... porque agora sim estava tudo de pernas para o ar... 

     Não adiantava ninguem chegar junto de mim dizendo "voce pode adotar", " tenta barriga de aluguel", "tenta isso ou aquilo" .... o que eu quero é ter meus filhos sendo gerados no meu ventre ... cansei de ouvir comparações com outros casos ou exemplos de pessoas próximas... pois cada pessoa é única, não tem como se comparar certas coisas... principalmente sonhos  e desejos...

     Comecei a colocar a cabeça no lugar que vai ter que existir uma forma de ter meus filhos, mesmo que seja num pais que tenha mais opções para isso que o Brasil, pois acho que nosso pais está atrasado em muitas coisas e medicina é uma das coisas... Precisei de um tempo para começar a colocar os pensamentos no lugar em relação a isso e tambem para começar a reprogramar toda minha vida, meus planos, projetos etc.... pois tudo mudou....

     Com certeza absoluta vou seguir todos os tratamentos que forem recomendados para o meu caso, pelo tempo que for necessário ate ter a noticia que estou 100% curada sem chances dessa doença voltar....

     O que me deixa triste é a questão do tempo, pois o tempo não volta para ter feito escolhas diferentes.... o tempo também age nas outras pessoas no meu entorno e parte do meu sonho de meus filhos conviverem com pessoas de certa idade que me cercam hoje pode não ser mais possivel por essa questão tempo... mesmo que estas pessoas aindam estejam neste mundo não vai ser como o "hoje"... e o futuro esta indefinido...isso não apenas para pessoas de idade, mas ate mesmo para os mais jovens, pois nunca se sabe o que pode acontecer no dia de amanhã... imagina em 5 ou 6 anos... então eu tenho que reprogramar minha mente para não sofrer com isso.... mas tá dificil...

     Por enquanto estou aguardando sair o resultado de um exame chamado Mamaprint ( que é feito nos EUA), para saber se vou precisar fazer quimioterapia, ou se o proximo passo vai ser a hormonioterapia...

O meu tratamento ...

     Como descobri um câncer de mama bem no inicio, tive um tratamento mais diferenciado daquelas mulheres que descobrem mais tarde, com estágios mais avançados ou mesmos tipos diferentes do meu.

     O meu é considerado HORMONIO-DEPENDENTE de acordo com o exame histpatológico, o que traduzindo para uma linguagem mais simples "se alimeta de hormônio". Logo está proibido para mim qualquer tratamento mastologico ou ginelocogico que contenha hormônio. 

    Como já disse anteriormente, era inevitável o procedimento cirurgico e optei pela Mastectomia Bilateral com Preservação de Pele, juntamente com a Reconstrução da Mama (no meu caso era possivel efetuar as 02 cirurgias em um único procedimento).

     O resultado dos exames da biopsia + histopatologico não foram suficientes para minha Oncologista formar uma opinião segura sobre a proxima etapa do tratamento. Então para tirar todas as dúvidas fiz o exame conhecido como Mammaprint.

     Com todos os resultados em mãos foi descartada a necessidade de fazer Quimioterapia ou Radioterapia no meu caso, mas achei importante mencionar informações sobre estes tratamentos como forma de poder esclarecer duvidas de outras pessoas, pois quando recebemos um diagnostico de câncer é um bombardeio tão grande de informacões que as vezes esquecemos de perguntar algo ou mesmo não gravamos o que foi dito pela equipe médica.

     No momento (22/11/2015)  estou na fase de preenchimento do implante da protese extensora, e a partir do dia 24/11/2015 irei começar o tratamento conhecido como HORMONIOTERAPIA, através do medicamento Tamofixeno, que é um Bloqueador de Homônios.

     Essa etapa deverá durar um periodo de 05 anos, o qual não posso engravida. O acompanhamento pela equipe médica composta de Mastologista, Ginecologista, Oncologista e Cirurgião Plástico deve ser periodica, alguns de 4 em 4 meses, outros de 6 em 6 meses. 

Hormonioterapia

     A hormonioterapia é a classe de terapia mais efetiva para o tratamento de pacientes cujos tumores tenham expressão dos chamados receptores hormonais.

     Estes receptores são o receptor de estrogênio (RE) e de progesterona (RP), e sua presença qualitativa e quantitativa é determinada pela avaliação do tumor através da técnica denominada imunohistoquímica.

    Assim, absolutamente todo tumor de mama deve ser avaliado quanto à presença ou ausência destes receptores, e preferencialmente esta avaliação deve ser feita por um bom laboratório, com controles de qualidade adequados.

     A presença destes receptores, ou de apenas um deles, indica um benefício na utilização da hormonioterapia como parte do tratamento em qualquer fase da doença, seja na adjuvância ao tratamento cirúrgico no caso de doença localizada, seja no caso de doença metastática.

     A hormonioterapia é tanto mais eficaz quanto maior a expressão destes receptores pelas células tumorais.

     A hormonioterapia, semelhante à quimioterapia, pode estar indicada na neoadjuvância (tratamento pré-operatório com intuito de diminuir o tamanho do tumor e de permitir uma cirurgia menor), na adjuvância (tratamento pós-operatório com intuito de eliminar células que porventura estejam circulando ou tenham escapado à ressecção cirúrgica, para evitar que a doença recidive) ou na doença metastática.Além disso, em algumas mulheres, a hormonioterapia está indicada na prevenção do câncer de mama.

     A hormonioterapia utilizada atualmente consiste em uma de duas classes: os moduladores do receptor de estrogênio (dos quais o tamoxifeno e o fulvestranto são as medicações utilizadas em câncer), e os inibidores de aromatase (dos quais o letrozol, o anastrazol e o exemestano são os mais utilizados).

 

     É importante explicar que, os inibidores de aromatase, por interferirem em uma enzima que é responsável pela maior produção de estrogênio nas mulheres, apenas após a menopausa (na pré-menopausa, o maior produtor de estrogênio são os ovários), somente podem ser utilizados em mulheres na menopausa. Nas mulheres que ainda não entraram na menopausa, a medicação de escolha entre os hormonioterápicos é o tamoxifeno.

       Para que uma mulher na pré-menopausa possa usar inibidores de aromatase, ela deverá ser colocada na menopausa, seja cirurgicamente, pela retirada dos ovários, seja quimicamente, pela utilização de injeções que bloqueiem a produção hormonal dos ovários.
   
      A medicação que põe a mulher na menopausa é um análogo do hormônio da secreção de LH (aLHRH).

    Na paciente que recebe hormonioterapia adjuvante, se ela ainda não estiver na menopausa, o tratamento consiste em tamoxifeno. Se ela já tiver entrado na menopausa, o tratamento pode ser tanto com tamoxifeno quanto com um inibidor de aromatase.

    Em relação aos efeitos colaterais, o Tamoxifeno pode aumentar o risco de trombose (coágulos de sangue), de modo que está contraindicado em mulheres que já tenham tido trombose ou que tenham algum outro fator predisponente para trombose. Além disso o Tamoxifeno piora os sintomas da menopausa, pode causar certa retenção de líquido, pode raramente causar toxicidade ocular (daí a necessidade de seguimento anual com oftalmologista), e pode ter seu efeito reduzido pela utilização concomitante de determinados antidepressivos.

     Já os inibidores de aromatase causam frequentemente dores articulares (às vezes limitantes), podem causar perda de massa óssea (levando à osteopenia ou até à osteoporose), além de causar piora dos sintomas da menopausa. A lista potencial dos efeitos colaterais é certamente mais longa, e estimulamos todas as paciente a discutirem estes efeitos colaterais possíveis com seu médico.

 

Sobre Tamoxifeno

Reações adversas / Efeitos colaterais de Tamoxifeno

Durante tratamento a longo prazo, os efeitos colaterais são menos numerosos e sérios do que com androgênios e estrogênios que também são usados para o tratamento do câncer de mama. Efeitos colaterais relatados devido à ação anti-estrogênica da droga foram: ondas de calor, sangramento vaginal, prurido vulvar e corrimento vaginal, e os efeitos colaterais gerais relatados foram: erupção cutânea, intolerância gastrintestinal, inflamação do tumor, tontura e, ocasionalmente, retenção de fluidos e alopecia.


Um pequeno número de pacientes com metástases ósseas desenvolveu hipercalemia no início do tratamento. Diminuição na contagem de plaquetas, normalmente apenas até 80.000 - 90.000 por mm3, ou ocasionalmente inferior, foi relatada em pacientes em tratamento com citrato de Tamoxifeno para câncer de mama. Descreveram-se casos de distúrbios visuais, incluindo relatos pouco freqüentes de alterações corneanas, catarata e retinopatia em pacientes em tratamento com citrato de Tamoxifeno. Foi relatado fibroma uterino. Tumores ovarianos císticos foram ocasionalmente observados em mulheres na pré-menopausa em tratamento com citrato de Tamoxifeno. Foi observada leucopenia após a administração de citrato de Tamoxifeno, algumas vezes associada à anemia e/ou trombocitopenia. Em raras ocasiões foi relatada neutropenia, que algumas vezes pode ser grave. Eventos tromboembólicos que ocorreram durante o tratamento com citrato de Tamoxifeno têm sido relatados pouco freqüentemente. Uma vez que se sabe da existência desses eventos em pacientes portadores de doenças malignas, uma relação de causa e efeito não foi estabelecida com citrato de Tamoxifeno. Quando o citrato de Tamoxifeno é usado em combinação com agentes citotóxicos, há um aumento de risco na ocorrência de eventos tromboembólicos. O citrato deTamoxifeno tem sido associado com alterações nas taxas de enzimas hepáticas e, em raras ocasiões, a um espectro mais grave de anormalidades hepáticas, incluindo gordura no fígado, colestase e hepatite.

Quimioterapia

     A quimioterapia é o método que utiliza compostos químicos, chamados quimioterápicos, no tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer, a quimioterapia é chamada de quimioterapia antineoplásica ou quimioterapia antiblástica.

     O primeiro quimioterápico antineoplásico foi desenvolvido a partir do gás mostarda, usado nas duas Guerras Mundiais como arma química. Após a exposição de soldados a este agente, observou-se que eles desenvolveram hipoplasia medular e linfóide, o que levou ao seu uso no tratamento dos linfomas malignos. A partir da publicação, em 1946, dos estudos clínicos feitos com o gás mostarda e das observações sobre os efeitos do ácido fólico em crianças com leucemias, verificou-se avanço crescente da quimioterapia antineoplásica. Atualmente, quimioterápicos mais ativos e menos tóxicos encontram-se disponíveis para uso na prática clínica. Os avanços verificados nas últimas décadas, na área da quimioterapia antineoplásica, têm facilitado consideravelmente a aplicação de outros tipos de tratamento de câncer e permitido maior número de curas.


Mecanismos de ação e classificação das drogas antineoplásicas


     Os agentes utilizados no tratamento do câncer afetam tanto as células normais como as neoplásicas, porém eles acarretam maior dano às células malignas do que às dos tecidos normais, devido às diferenças quantitativas entre os processos metabólicos dessas duas populações celulares. Os citotóxicos não são letais às células neoplásicas de modo seletivo. As diferenças existentes entre o crescimento das células malignas e os das células normais e as pequenas diferenças bioquímicas verificadas entre elas provavelmente se combinam para produzir seus efeitos específicos.

     O ADN, material genético de todas as células, age como modelador na produção de formas específicas de ARN transportador, ARN ribossômico e ARN mensageiro e, deste modo, determina qual enzima irá ser sintetizada pela célula. As enzimas são responsáveis pela maioria das funções celulares, e a interferência nesses processos irá afetar a função e a proliferação tanto das células normais como das neoplásicas. A maioria das drogas utilizadas na quimioterapia antineoplásica interfere de algum modo nesse mecanismo celular, e a melhor compreensão do ciclo celular normal levou à definição clara dos mecanismos de ação da maioria das drogas. Foi a partir dessa definição que Bruce e col.(1969) classificaram os quimioterápicos conforme a sua atuação sobre o ciclo celular em:

  • Ciclo-inespecíficos - Aqueles que atuam nas células que estão ou não no ciclo proliferativo, como, por exemplo, a mostarda nitrogenada.
• Ciclo-específicos - Os quimioterápicos que atuam somente nas células que se encontram em proliferação, como é o caso da ciclofosfamida.
• Fase-específicos - Aqueles que atuam em determinadas fases do ciclo celular, como, por exemplo, o metotrexato (fase S), o etoposídeo (fase G2) e a vincristina (fase M).
 



Tipos e finalidades da quimioterapia


     A quimioterapia pode ser feita com a aplicação de um ou mais quimioterápicos. O uso de drogas isoladas (monoquimioterapia) mostrou-se ineficaz em induzir respostas completas ou parciais significativas, na maioria dos tumores, sendo atualmente de uso muito restrito.

     A poliquimioterapia é de eficácia comprovada e tem como objetivos atingir populações celulares em diferentes fases do ciclo celular, utilizar a ação sinérgica das drogas, diminuir o desenvolvimento de resistência às drogas e promover maior resposta por dose administrada.

     A quimioterapia pode ser utilizada em combinação com a cirurgia e a radioterapia. De acordo com as suas finalidades, a quimioterapia é classificada em:

  • Curativa - quando é usada com o objetivo de se conseguir o controle completo do tumor, como nos casos de doença de Hodgkin, leucemias agudas, carcinomas de testículo, coriocarcinoma gestacional e outros tumores.
• Adjuvante - quando se segue à cirurgia curativa, tendo o objetivo de esterilizar células residuais locais ou circulantes, diminuindo a incidência de metástases à distância. Exemplo: quimioterapia adjuvante aplicada em caso de câncer de mama operado em estádio II.
• Neoadjuvante ou prévia - quando indicada para se obter a redução parcial do tumor, visando a permitir uma complementação terapêutica com a cirurgia e/ou radioterapia. Exemplo: quimioterapia pré-operatória aplicada em caso de sarcomas de partes moles e ósseos.
• Paliativa - não tem finalidade curativa. Usada com a finalidade de melhorar a qualidade da sobrevida do paciente. É o caso da quimioterapia indicada para carcinoma indiferenciado de células pequenas do pulmão.
 


Toxicidade dos quimioterápicos


     Os quimioterápicos não atuam exclusivamente sobre as células tumorais. As estruturas normais que se renovam constantemente, como a medula óssea, os pêlos e a mucosa do tubo digestivo, são também atingidas pela ação dos quimioterápicos. No entanto, como as células normais apresentam um tempo de recuperação previsível, ao contrário das células anaplásicas, é possível que a quimioterapia seja aplicada repetidamente, desde que observado o intervalo de tempo necessário para a recuperação da medula óssea e da mucosa do tubo digestivo. Por este motivo, a quimioterapia é aplicada em ciclos periódicos.

     Os efeitos terapêuticos e tóxicos dos quimioterápicos dependem do tempo de exposição e da concentração plasmática da droga. A toxicidade é variável para os diversos tecidos e depende da droga utilizada. Nem todos os quimioterápicos ocasionam efeitos indesejáveis tais como mielode-pressão, alopecia e alterações gastrintestinais (náuseas, vômitos e diarréia).

     As doses para pessoas idosas e debilitadas devem ser menores, inicialmente, até que se determine o grau de toxicidade e de reversibilidade dos sintomas indesejáveis.

     O quadro abaixo mostra exemplos de efeitos tóxicos dos quimioterápicos, conforme a época em que se manifestam após a aplicação.

Precoces*
(de 0 a 3 dias)
Imediatos
(de 7 a 21 dias)
Tardios
(meses)
Ultra-Tardios
(meses ou anos)
• Náuseas
• Vômitos
• Mal estar
• Adinamia
• Artralgias
• Agitação
• Exantemas
• Flebites
• Mielossupressão granulocitopenia plaquetopenia anemia
• Mucosites
• Cistite hemorrágica devida à ciclofosfamida
• Imunossupressão
• Potencialização dos efeitos das radiações devida à actinomicina D, à adriamicina e ao 5-fluoruracil
• Miocardiopatia devida aos antracícliclos e outros
• Hiperpigmentação e esclerodermia causadas pela bleomicina
• Alopecia
• Pneumonite devida à bleomicina
• Imunossupressão
• Neurotoxidade causada pela vincristina, pela vimblastina e pela cisplatina
• Nefrotoxidade devida à cisplatina
• Infertilidade
• Carcinogênese
• Mutagênese
• Distúrbio do crescimento em crianças
• Seqüelas no sistema nervoso central
• Fibrose/cirrose hepática devida ao metotrexato
* Síndrome da toxicidade precoce (Delgado 1983)

     

     A cada dia, medicamentos novos são postos à disposição dos oncologistas visando à redução da toxicidade dos quimioterápicos (mesna, por exemplo), à manutenção da quimioterapia (fatores de crescimento hematopoético e antieméticos, por exemplo), e a intensificação dos quimioterápicos (ácido folínico, por exemplo). O transplante de medula óssea também tem permitido superar o problema da toxicidade hematológica da quimioterapia como fator limitante do tratamento, a par de consitutuir-se ele próprio em um método terapêutico de doenças hematológicas. É preciso salientar, porém, que a maioria desses medicamentos e métodos tem se mostrado inacessível à maioria dos pacientes, mais por seus custos do que por sua disponibilidade (comercial, institucional ou de doadores de órgãos); além do que eles também se acompanham de efeitos tardios ainda não totalmente conhecidos nem bem controlados.


Critérios para aplicação da quimioterapia


      Para evitar os efeitos tóxicos intoleráveis dos quimioterápicos e que eles ponham em risco a vida dos pacientes, são obedecidos critérios para a indicação da quimioterapia.

     Esses critérios são variados e dependem das condições clínicas do paciente e das drogas selecionadas para o tratamento.

Radioterapia

O que é radioterapia?

A radioterapia é o uso das radiações ionizantes para destruir ou inibir o crescimento das células anormais que formam um tumor. Existem vários tipos de radiação, porém as mais utilizadas são as eletromagnéticas (Raios X ou Raios gama) e os elétrons (disponíveis em aceleradores lineares de alta energia).

Em um sentido mais amplo, a Radioterapia é o uso terapêutico da radiação para o tratamento de alguma enfermidade.  Existem 3 modalidades clínicas utilizadas:

1) Injeção de radioisótopos na corrente sanguínea (como em alguns casos de câncer de tireoide);

2) Braquiterapia, em que fontes radioativas na forma de aplicadores especiais - agulhas, sementes ou fios - são colocadas em contato direto com o local onde se deseja empregar a radiação. Exemplos comuns são os implantes utilizados no tratamento dos tumores ginecológicos e da próstata, entre outros;

3) Teleterapia, ou radioterapia com feixe externo, que é a modalidade mais difundida. A fonte irradiante se posiciona externamente ao paciente, a certa distância dele, podendo-se utilizar de diversas máquinas, como o gerador convencional de raios-X, a unidade de Co-60 e, mais comumente, os aceleradores lineares.

Quando e para quem é indicada? 

Atualmente é utilizada tanto em doenças benignas quanto malignas, de forma exclusiva ou associada à cirurgia e à quimioterapia. Nos últimos anos, a radioterapia tornou-se imprescindível a quase 2/3 dos pacientes portadores de câncer maligno em algum momento do curso da doença. Essa ação pode resultar na eliminação do tumor, uma melhora na qualidade de vida e aumento das taxas de sobrevida do paciente.

 

Embora as células normais também possam ser danificadas pela radioterapia, geralmente elas podem se reparar, o que não acontece com as células cancerígenas. 

A radioterapia é sempre cuidadosamente planejada de modo a preservar o tecido saudável, tanto quanto possível. No entanto, sempre haverá tecido saudável que será afetado pelo tratamento, causando possíveis efeitos colaterais.

Radioterapia durante o procedimento cirurgico