Câncer de Mama aos 34 anos

      Receber um diagnostico de Cancer de Mama aos 34 anos não é facil. Nos faz pensar em muitas coisas, passa literalmente um "filminho" de toda sua vida em segundos na sua mente.

    Meu primeiro susto foi aos 22 anos quando em exames de rotina com ginecologista descobri um nodulo. Na época entrei em panico e isso foi 01 semana antes de apresentar o TCC para me formar em Administração. Com isso descobri a importancia do profissional Mastologista... pois os cuidados com a mama indubitavelmente devem ser com este profissional. 

    Fiz os exames necessarios de punçao e deu celula atipica, então o procedimento era retirar o nodulo. Este foi o primeiro procedimento de outros 05 para retirada de nodulos. O segundo apareceu menos de 02 anos depois e se identificou como "FIBROADENOMA" . Descobri que era uma exceção esse tipo de nodulo aparecer na minha idade e exceçao maior ainda ele ser reincidente. 

    A média estava em aparecer um  "inquilino" desses a cada 02 anos. Se toda vez fosse operar ia viver em hospital, entao eu e minha mastologista fizemos um "acordo": ficar acompanhando os que surgissem com os exames necessarios para ter certeza que era Fibroadenomas e se caso eles crescessem ou incomodassem ai sim fariamos a retirada. Todo chek up era feito a cada 06 meses rigosorasemte ( ultrassonografias + mamografia) e isso foi o que me salvou me propiciando um diagnostico precoce de Cancer de Mama.

    No final de Maio/2015 em exames de rotina aminha medica que faz as ultrassonografias identificou um novo nódulo na mama esquerda, e com caracteristicas diferentes dos demais que sempre tive. O olhar dela de preocupação ao ver aquelas imagens lá me fez ligar um sinal de alerta.  Em Junho/2015, a mastologista pediu mais exames que o normal, por tambem achar "diferente" aquele novo "inquilino". Ela tentou não me assustar com o que poderia dar nos resultados, mas o olhar de quem tem experiencia com isso já entrega um pouco o que está por vir...

     O exame citopatologico deu "atipia das celulas" então o proximo passo seria operar para retirar o nódulo e uma area do entorno e poder fazer uma biopsia do material para ter certeza do que se tratava. A cirurgia eu já tinha feito outras várias antes, mas quela historinha de sexto sentido lá no fundo dizendo "isso não bom ", não saia da minha cabeça. Foram dias de muita ansiedade até o laboratorio ligar dizendo que podia ir pegar o resultado. Ligaram para mim e eu fiz meu marido sair correndo para ir no laboratorio tamanha era a minha ansiedade. Tambem fiz ele tirar foto do laudo e me mandar pelo celular...

    Acho que passei uns 30 segundos parada, lendo e relendo aquele nome "CARCINOMA DUCTUAL IN SITU - INVASIVO". E por experiencias anteriores na familia eu sabia examatente o que aquilo significava. Liguei de novo para meu marido e pedi para ele vir correndo para casa... ele deve ter voado para chegar tão rapido.  Nesse meio tempo liguei para amisar minha mãe e mandei mensagem para outras pessoas que estavam me acompanhando. Mas foi só quando ele chegou que "a ficha caiu" ao ver aquele papel na mão dele... que aquilo era real... ai tive uma crise de choro...Eu me agarrei abraçando ele como se ele pudesse tirar aquela dor de mim ou mesmo me despertar de um pesadelo....

     Nesse momento é que começa a passar o tal filminho na sua cabeça, das coisas que voce tinha planejado e serao adiadas, do risco que está ou não a sua vida, de imaginar todo tratamento, de pensar nas pessoas próximas, pensar "porque" isso aconteceu.... enfim era um turbilhao de pensamentos sem ordem e acelarados passando...

     Me deram um Ocadil, mas foi mesmo que nada... pelo menos não senti nenhum efeito...Depois de umas 02 horas, olhando para as pessoas que iam chegando na minha casa comecei a voltar a ser racional: tenho um problema, pelo taamnho tem tratamento, então qual será o proximo passo.... pois preciso me livrar disso que está dentro de mim ou ter certeza que não tem mais nada. 

     O que me "quebrava" era ver meus pais arrasados daquele jeito. Isso porque tentaram me esconder que passaram mal quando souberam da noticia e meu irmao mais novo que segurou a barra... até desabar tambem.

     Falei por telefone com a mastologista que disse que ia pedir novos exames, e que fosse ao consultorio 02 depois para definirmos quais seriam os proximos passos do tratamento. Meu irmao mais velho que é medico me deu as requisiçoes e me explicou que era algo muito no começo e que eu tinha sorte por ter descoberto nesse estagio inicial.

     Passei 02 dias fazendo mais exames de sangue, cintilografia ossea, raio-x, etc. Juntando tudo para saber qual seria a proxima etapa.

     Há alguns anos atras quando comecei a ter esses nódulos vi uma reportagens de como certos casos são tratados nos EUA, apesar de parecer drastico lá eles fazem mastectomia em mulheres jovens, mas com historico familiar pesado para evitar esse problema no futuro. Questionei isso com minha mastologista que disse "voce ainda não teve filhos, espere amamentar para pensar nisso, e depois ainda fica um pouco de tecido mamario então não é 100% seguro, voce continuará fazendo exames por causa da margem que fica entre 8 e 5% do tecido que permaneceu"

     Fui a consulta acompanhada pelo meu marido e minha mãe, mas já tendo quase que a certeza de qual seria o tratamento:

  1- Fazer "MASTECTOMIA BILATERAL COM PRESERVAÇÃO DE PELE "

  2- Fazer na mesma cirurgia a "RECONSTRUÇÃO DAS MAMAS COM IMPLANTE EXTENSOR "

  3-  Aguardar nova biopsia para saber a necessidade de fazer "QUIOTERAPIA" ou se seria apenas necessario o tratamento da "HORMONIOTERAPIA"

 

     Depois que ela explicou tudo como ia ser eu apenas perguntei "quando??  pois eu não tenho duvidas de que essa é a melhor opção, e quero retirar as 02 mamas para não viver na duvida que isso pode aparecer na outra ". Meu marido disse "faça o que tiver que ser feito para voce continuar com vida, pois não ligo a minima para estetica" Minha mãe ficou meio que assimilando tudo que ia acontecer, pois mãe nunca quer que nada de mal aconteça para um filho. 

 

     

 

 

 

 

  • Mama Saudável - perfil

  • Mama Saudável - de frente

  • Fibroadenoma

    O fibroadenoma da mama é um tumor benigno que surge como um nódulo duro que não causa dor ou incômodo.

    O fibroadenoma da mama raramente vira câncer

    Após a cirurgia para fibroadenoma da mama, o nódulo pode voltar a surgir e, por isso, a cirurgia só deve ser utilizada em casos de suspeita de câncer da mama, uma vez que não é uma cura para o fibroadenoma da mama.

  • Carcinoma Ductual

    Cânceres de mama são tumores malignos que surgem na glândula mamária, na maioria das vezes a partir dos ductos (canais que ligam a glândula ao mamilo) ou dos lóbulos (partes da mama que secretam o leite).

    "In situ" quer dizer que as células cancerígenas se encontram dentro dos ductos (canais do leite) da mama.

    Os tumores que infiltram ou invadem os tecidos da mama são chamados de carcinomas invasivos ou infiltrativos. Os tumores invasivos podem crescer e infiltrar a pele e músculos peitorais. Podem ainda enviar células malignas pela circulação para os linfonodos (ou gânglios) da axila e para outros órgãos como os pulmões, cérebro, ossos, etc, que é chamado de metástase

" O que é Câncer de mama?
O câncer de mama é um tumor maligno que se desenvolve na mama como consequência de alterações genéticas em algum conjunto de células da mama, que passam a se dividir descontroladamente. Ocorre o crescimento anormal das células mamárias, tanto do ducto mamário quanto dos glóbulos mamários. Esse é o tipo de câncer que mais acomete as mulheres em todo o mundo, sendo 1,38 milhões de novos casos e 458 mil mortes pela doença por ano, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). A proporção em homens e mulheres é de 1:100 - ou seja, para cada 100 mulheres com câncer de mama, um homem terá a doença. No Brasil, o Ministério da Saúde estima 52.680 casos novos em um ano, com um risco estimado de 52 casos a cada 100 mil mulheres. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Mastologia, cerca de uma a cada 12 mulheres terão um tumor nas mamas até os 90 anos de idade. "

Exames de Imagem para detectar o Câncer de Mama

  • Ultrassom


A ultrassonografia da mama possibilita identificar lesões que não podem ser visualizadas na mamografia, quando a mama é densa, e também permite distinguir, por exemplo, se a lesão é sólida ou cística. Ao contrário da maioria dos exames de diagnóstico por imagem, a ultrassonografia é uma técnica que não emprega radiação ionizante para a formação da imagem. Ela utiliza ondas sonoras de frequência acima do limite audível para o ser humano, que produzem imagens em tempo real de órgãos e tecidos do corpo. 

A ultrassonografia é muita utilizada para orientar punções, biópsias ou marcações pré-cirúrgicas de lesões não palpáveis.

Existem características de imagem na ultrassonografia que podem sugerir benignidade ou malignidade, mas ocorre que algumas lesões apresentam características suspeitas de malignidade e são benignas e vice-versa. O médico, ao dar o laudo da ultrassonografia, classifica a lesão de acordo com um sistema internacional de dados e laudos, chamado BI-RADS® ( Breast Imaging Reporting and Data System)

Qual o tipo de mama que é mais beneficiado pela ultrassonografia?

É a mama densa na mamografia, aquela que tem pouco tecido gorduroso. Por que? Porque a mama é constituída de tecido glandular, conjuntivo e adiposo, além de vasos sanguíneos e nervos. O que dá o contraste na mamografia, ou seja, o que faz com que a mamografia fique "mais transparente" e mostre a lesão, é o tecido gorduroso. Se tiver pouco deste tecido, a mama fica pouco transparente e pode obscurecer uma lesão, às vezes até palpável. A ultrassonografia pode demonstrar a lesão e ainda dizer se ela é cística (se contém líquido), se é sólida, ou ainda, se é mista (cística e sólida).

 

 

  • Mamografia


A realização de exames de mamografia é hoje uma prática comum para o diagnóstico precoce do câncer de mama. O rastreamento consiste em exames mamográficos periódicos em mulheres assintomáticas, acima de 40 anos, para detectar câncer de mama em estádios iniciais, o que pode levar à redução da mortalidade por esta enfermidade. As alterações patológicas da mama que podem ser vistas na mamografia são: massas, calcificações, áreas com densidades assimétricas ou distorção de arquitetura, ductos proeminentes, espessamento da pele ou mamilo e retração deste último. Uma imagem mamográfica deve ter o contraste ideal entre as diferentes estruturas da mama e a melhor resolução, a fim de se perceber o menor sinal possível de lesão, para que o diagnóstico clínico possa ser muito assertivo ao se encontrar alguma anormalidade.

A ultrassonografia pode substituir a mamografia?

Não, porque a mamografia é o único método já comprovado, por múltiplos estudos, que pode diminuir a taxa de mortalidade por câncer de mama, apesar de também não conseguir detectar todos os cânceres. Por que? Porque ela é a única a conseguir detectar microcalcificações, que são diminutas imagens calcificadas, que dependendo de sua forma e distribuição na mamografia, podem indicar a presença de um câncer inicial, com grande potencial de cura. As microcalcificações, por serem muito pequenas, geralmente não podem ser detectadas pelo ultrassom, a não ser quando se encontram dentro de nódulos.

 

  • Raios X


O exame de Raios X é um procedimento de imagem para avaliar o corpo humano, que cria uma imagem das estruturas internas do corpo, utilizando uma pequena quantidade de radiação.

A radiografia de tórax é utilizada para detectar se o câncer de mama se disseminou para os pulmões.

 

  • Ressonância Magnética


A ressonância magnética é um método de diagnóstico por imagem, que utiliza ondas eletromagnéticas para a formação das imagens. A ressonância magnética é utilizada como exame de imagem complementar no diagnóstico de nódulos e de densidades assimétricas na mama, junto à mamografia e à ultrassonografia. Este exame, além de permitir uma avaliação detalhada dos nódulos, sem a utilização de raios X, também proporciona uma visão mais abrangente da região profunda do tecido mamário, ideal para o controle de próteses mamárias. 

 

 

  • Cintilografia Óssea


A cintilografia óssea é uma forma de diagnóstico por imagem que avalia funcionalmente os órgãos e não apenas sua morfologia. Para a realização do exame é administrado ao paciente uma injeção intravenosa do radiofármaco (Tecnécio99m). A captação óssea nas imagens adquiridas após 3 horas da injeção é proporcional à atividade metabólica no osso, se devendo principalmente à adsorção do radiofármaco aos cristais de hidroxiapatita.

A cintilografia pode detectar variações de até 5% no metabolismo ósseo, geralmente precedendo as alterações radiológicas, oferecendo alta sensibilidade e baixa dose de irradiação mesmo na varredura de todo o esqueleto.

É indicada para tumores com grandes chances de metástase óssea e para pacientes com alterações bioquímicas sugestivas e metástases já instaladas.

O meu estava localizado bem abaixo dos ductos da areola

Estágios da docença

Ilustração sobre carcinoma ductual invasivo

Evolução da doença